sábado, 31 de janeiro de 2009

sábado, 31 de janeiro de 2009

Mares de mim

Tem uns “gostares” que a gente não explica. Um amor, um sabor, uma cor, um livro, uma música. Um dia simplesmente despertam um não-sei-o-que lá dentro de nós e pronto, fomos “tocados”. Poesia é assim, filmes também. De tempos em tempos, é uma música que se “apodera” da minha mente e por dias só ouço a mesma.

Ultimamente, quem andou aprisionando-me na mesma letra e melodia, foi um músico bem polêmico, e eu como sou cheia de “gostares’ estranhos, admiro muita coisa da produção musical dele. A música que ando ouvindo ultimamente é Mares de Ti, do Carlinhos Brown. Engraçado que o Brown mistura umas palavras esquisitas, que aparentemente não tem nenhum significado, mas aí entra a história da “viagem” que cada um faz quando ouve música, lê poesia, enfim. Mares de Ti tem esse poder sobre mim, mobiliza meus sentidos, meus sentimentos, sem nem eu entender muito bem a razão. Mas emoção nem precisa ter razão!

Procurei um vídeo no youtube, não achei. Resolvi fazer um, para colocar aqui. Virou um varal de foto com trilha sonora.


Bom fim de semana!


video

Trechos da Letra:

Se tropeçar meus pés cansados
Nos mares de ti
Cuidar de mim cuidar de ti
As fases e frases
desfazem nos jeans

Porque que é só você que sabe
Aonde surfir
O mais bonito do magnífico
Se teu sorriso esculpe

Solidão
A vida nos fez
Apesar de ter
Solidão...

Não sei pisar no breque
Tomo charrete
Pros lares rubis
Pensando nisso
Pensando em ti

Senti felicidade sem fim
Se for passar preciso sarar
É quase inútil
Ficar de ir
Ficar de vir
Ficar feliz isso sim

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Poema de Amigo


Já é rotina por aqui, sempre que me faltam as palavras, eu busco um grande escritor para me ajudar. Desta vez fui buscar um jovem escritor, sem livros publicados, mas nem por isso menor.

Pedi e recebi um poema para publicar aqui, do queridíssimo Álisson da Hora, poeta, escritor dos bons. Com formação em Letras e mestrando em Crítica Literária na Universidade Federal de Pernambuco (e quem sabe futuro profe lá também?!).

O Álisson publica no blog Ein jeder Engel ist schrecklich vários dos seus escritos, romances inclusive. O estilo é denso, metáforas inteligentes, mas não vou me estender demais, pois não fiz nenhuma cadeira de crítica literária. Só sei do que sinto, e me emociono ao ler o que ele escreve. Um dia ainda hei de receber um livro publicado.

O poema que pedi, parece um poema de amor, mas não se iludam, ele não fala de amor. Contudo, ele fala de Amor. Mas e o quê importa, se quando estamos lendo uma história, um poema, viajamos para o mundo que nossa mente nos quiser levar, à revelia do autor, que nos fornece a base para a nossa viagem, que vai ser complementada com os nossos próprios sentimentos e experiências?

Certo! Falei demais! Vamos ao poema, que leio e leio e sempre acho lindo.


***


Sopro de Álisson da Hora – Ascender


não te escondas

mas, precisando se esconder

te farei de pipa

para que ninguém te perturbe no seu voar

prometo: ninguém perceberá teus passos

tranquilos nas quinas das nuvens

nem teu olhar divagante por sobre

as cabeças dos pequenos necessitados

da misericórdia mais pungente.

te guardarei nos meus bolsos

para lembrar como quem olha uma fotografia querida

te trarei como uma promessa de viagem

um devaneio ao final da tarde mais calada.


se esconda

embaixo dos meus poucos versos

o abrigo mais bonito que eu posso te dar

com um sopro de sol se pondo

o afago amigo das linhas pensadas


refugie-se no campo sensato da tua alma

no que podes pensar de bom ao final de um dia

deixe-se fotografar pelas minhas mãos

e fique tranqüila


aqui, estarás segura


***


Se tiver informação errada, você me corrige e eu corrijo.

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Fotos de Belém e poesia paraense

Continua a minha pretensão em ser fotógrafa!
As fotos são de dezembro de 2008 e janeiro 2009.
Olhando o barco e o baía a partir da Estação das Docas

Prédio da Enasa - início da Presidente Vargas

Basílica de Nossa Senhora de Nazaré

Barco na Estação das Docas

Olhar a baía do Guajará estando na Estação das Docas

***
Vocês conhecem a lenda do boto? Então vamos ver a ótica do poeta [paraense].
***
Sopro de Antônio Juraci Siqueira - Boto 60
Eu venho de um mundo/que tu não conheces:/do onde, do quando,/do nunca, talvez...

Eu venho de um rio/perdido em teus sonhos,/um rio sondável/que corre em silêncio/entre o ser e o não ser.

Eu venho de um tempo/que os homens não medem,/nenhum calendário/registra os meus dias.

Sou filho das ondas/que geme na praia,/sou feito de sombras/de luz e luar/e trago em meu rosto/mandinga e mistério/e guardo em meus olhos/funduras de rio.

Cuidado, cabocla!/Cuidado comigo/que eu sou sempre tudo/o que anseias que eu seja:/- teus ais, teus segredos,/tua febre, teu cio...

Se em noites de lua/sentires insônia/e a fome de sexo/queimar as tuas entranhas,/a sede de beijos/tua boca secar/e em brasa o teu corpo/meu corpo exigir,/contigo estarei/na rede do encanto/cativo nas malhas/da teia do amor.

E quando os teus olhos/fitarem meus olhos,/e quando os meus lábios/teus lábios tocarem,/e quando os meus braços/laçarem o teu corpo,/e quando o meu ser/em teu ser penetrar,/só então saberás/quem sou e a que vim.

E assim que a semente/do amor, do desejo,/vingar no teu ventre/gerando outro ser,/não mais estarei/contigo. Somente a minha lembrança/permanecerá boiando nas águas/barrentas, confusas, /de tua memória/cansada, febril...

- Foi sonho ? - Foi fato ?
Ninguém saberá!...
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Clarice Lispector – novamente e em aniversário!

Essa é minha!

Eu ando com preguiça da internet. Apesar disso tenho pensado no que postar e lembrei que já tem um tempinho que não menciono Clarice. Mas também queria publicar umas fotos novas, que fiz agora no período das festas, só não tenho tido a minha “energia de ativação” necessária para isso.

Mas uma boa surpresa foi descobrir que, hoje, é aniversário da Neiva - Blog A Itinerante - e como ela também gosta dos escritos da Clarice, resolvi deixar a preguiça de lado.

A Neiva frequenta o Sopros desde muito cedo, visto que eu o assumi, de fato, em agosto de 2008. Foi uma das primeiras a chegar e ficar. Lisonjeou-me e envaideceu-me com sua gentileza e simpatia. Ela sabe como cultivar amigos, seu blog tem sempre pessoas novas e seus posts são de muito bom gosto, recheado de assuntos culturais, além dos maravilhosos “banner’s itinerantes”, que já são sua marca registrada.

Escolhi um trecho de um livro da Clarice que adoro. Vocês dirão que é uma bobagem eu dizer isto, pois na real, adoro tudo que ela escreveu. Mas Água Viva - o livro ao qual me refiro - tem um significado especial para mim..

Chega de conversa!

Neiva: Feliz Aniversário, Saúde, Paz, Alegrias e muito amor nesse novo ano que inicia hoje. Fiquei muito feliz por te conhecer. Espero que goste do texto escolhido.

***

Sopro de Clarice Lispector – trechos de Água Viva

...

Nova era, esta minha, e ela me anuncia para já. Tenho coragem? Por enquanto estou tendo: porque venho do sofrido longe, venho do inferno de amor, mas agora estou livre de ti. Venho do longe – de uma pesada ancestralidade. Eu que venho da dor de viver. E não a quero mais. Quero a vibração do alegre. Quero a isenção de Mozart. Mas quero também a inconseqüência. Liberdade? É o meu último refúgio, forcei-me à liberdade e agüento-a não como um dom, mas com heroísmo: sou heroicamente livre. E quero o fluxo.

Não é confortável o que te escrevo. Não faço confidências. Antes me metalizo. E não te sou e me sou confortável; minha palavra estala no espaço do dia...

...

Neste instante-já estou envolvida por um vagueante desejo difuso de maravilhamento e milhares de reflexos do sol na água que corre da bica na relva de um jardim todo maduro de perfumes, jardim e sombras que invento já e agora e que são o meio concreto de falar neste meu instante de vida. Meu estado é o de jardim com água correndo. Descrevendo-o tento misturar palavras para que o tempo se faça. O que te digo deve ser lido rapidamente como quando se olha.

...

Para me refazer e te refazer volto a meu estado de jardim e sombra, fresca realidade, mal existo e se existo é com delicado cuidado. Em redor da sombra faz calor de suor abundante. Estou viva. Mas sinto que ainda não alcancei os limites, fronteiras com o quê? Sem fronteiras, a aventura da liberdade perigosa. Mas arrisco, vivo arriscando. Estou cheia de acácias balançando amarelas, e um senso de tragédia, adivinhando para que oceano perdido vão os meus passos de vida. E doidamente me apodero dos desvãos de mim, meus desvarios me sufocam de tanta beleza. Eu sou antes, eu sou quase, eu sou nunca. E tudo isso ganhei ao deixar de te amar.

...

***

Um trechinho do prefácio do livro, para quem não o conhece – de repente dá vontade de ler todo: [...A trama do livro é tênue, o que faz dele “um romance sem romance”. Um eu, declinado feminino, escreve a um tu, no masculino, expondo suas ânsias e procuras, num discurso de fluidez ininterrupta entre o delírio, a confissão e a sedução...Profa. Lúcia Helena, UFF]
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domingo, 11 de janeiro de 2009

domingo, 11 de janeiro de 2009

Pegadas no asfalto e...Quase Nada (Zeca Baleiro)

Peguei na internet


De você sei quase nada

Pra onde vai ou porque veio

Nem mesmo sei

Qual é a parte da tua estrada

No meu caminho

A chuva caía, a voz macia do Zeca Baleiro cantava no seu ouvido e ela caminhava cada vez mais rápido. Talvez a intenção, de caminhar na chuva, fosse conseguir repassar toda a sua vida e lavar tudo o que nela não lhe agradava. Olhou para trás na tentativa de ver suas pegadas. Que bobagem – pensou! Como poderia deixar pegadas no asfalto? Mas na água uma pegada fugidia era impressa, cada vez que pisava.

Será um atalho

Ou um desvio

Um rio raso

Um passo em falso

Um prato fundo

Pra toda fome

Que há no mundo

A “outra” que habitava sua mente pensou: “boba é você! Era nessa pegada que eu pensava mesmo! Um caminhar sem pegadas, sem rastros a serem seguidos”. Andava sozinha e nada, enfim, ia mudar isso!

Esse pensamento – que era seu e não era - lhe fez sentir um enorme peso no coração. Era assim mesmo que se sentia: duas! Talvez até mais que duas. Mas nesse momento, sentindo a água misturar ao suor daquele dia chuvoso e abafado, eram duas as que brigavam dentro dela.

Uma que quer se abrir e deixar pistas do que vai na mente, seus pensamentos mais secretos. E a outra, que se basta e quer trilhar tão levemente que seu peso não pressione o chão.

Noite alta que revele

Um passeio pela pele

Dia claro, madrugada

De nós dois não sei mais nada

A chuva fina continuava caindo, e lhe parecia, lavar a alma. E essa sensação sim, agradava-a por completo. Ainda teria que tomar inúmeras decisões e não tinha nenhuma certeza. Quanto mais procurava se concentrar nisso, mais divagava. O pensamento de desaparecer, sem dar notícias, sem dizer para onde iria, esperar que se esquecessem dela...

Qual é a parte da tua estrada

No meu caminho?...

... De você sei quase nada

Passava a mão no rosto, com impaciência, como se isso fizesse com seus pensamentos apagassem. Se pelo menos, aquele encontro não tivesse acontecido...se, se...Se não tivesse divagado em seus próprios passos, agora seria só a chuva e não as lágrimas a encharcar o rosto...E o Zeca continuava cantando...

Se tudo passa como se explica

O amor que fica nessa parada

Amor que chega sem dar aviso

Não é preciso saber mais nada


Texto meu com trechos da música Quase Nada [Zeca Baleiro/Alice Ruiz]

***

Bom, vou tentar atualizar com maior frequência. Agradeço os comentários no post anterior.
Feliz 2009!
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