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sábado, 11 de julho de 2009

sábado, 11 de julho de 2009

Desejo e perigo - o filme

Ou: Dando um tempo de pensar que sei escrever alguma coisa.
Cartaz do filme

Linda fotografia!

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Eu sempre digo que meu gosto nem sempre agrada, mas vou indicar um filme novamente. Um filme chinês, que nem sei se ainda está em cartaz Brasil a fora, mas aqui ainda sim.

Não sabia nada do filme, então fui de curiosa, pelo título: Desejo e Perigo. A história se passa em Shanghai, na década de 40, no período de ocupação da China pelos japoneses, na segunda guerra mundial.

Um grupo de jovens universitários se reúne, primeiro para protestar contra a ocupação por meio de uma peça de teatro e depois eles resolvem formar um grupo de resistência, tentando "eliminar" um chinês, Sr. Yee (Tony Leung), que colaborava com os japoneses.

A trama se desenvolve a partir de uma das estudantes, Chia Chi Wong (Wei Tang), que é escolhida para seduzir Yee por conta do seu talento no teatro, facilitando a ação do restante do grupo. Entretanto, tenho comigo, e isso fica implícito no filme (na minha modesta interpretação), que sedução é uma via de mão dupla, do tipo tudo que vai, volta. E, é esse jogo perigoso que a bonita chinesinha se dispõe a jogar – no início meio a contragosto, por uma causa maior que seria "destruir" um inimigo do seu país.

É claro que não vou contar os meandros e o desfecho do filme, mas posso dizer que para o meu gosto particular é um bom filme, que vale o dinheiro do ingresso e as horas dentro do cinema. O diretor misturou alguns elementos que deram um tempero especial ao filme: política, suspense, romance e sexo. Sem falar que a delicadeza das falas e gestos dos orientais me impressiona bastante, e que, em determinados momentos, são sobrepujados pela paixão e passionalidade. A fotografia do filme também tem tudo de que gosto.

Recomendo para quem se interessa por cinema oriental, que não seja artes marciais.

O diretor é Ang Lee, que é responsável por outros filmes conhecidos como O Segredo de Brokeback Mountain (gostei), O Tigre e o Dragão (que eu gostei também) e (pasmem!) Hulk. O filme também ganhou o prêmio do Festival de Veneza em 2007. Mais alguma coisa? hummm... Desejo e Perigo é baseado em um conto de 1950 do autor chinês Eileen Chang, e dizem por aí que teria sido inspirado em um acontecimento real.


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Se tiver um tempinho, dá uma olhada no Trailer do filme

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O Leitor - o filme


Cenas do Filme

Verão em Porto Alegre! Esse podia ser o título do post, mas calma, eu chego lá.
Verão sem viagem, verão sem praia, verão sem Fortaleza, Recife, Salvador – lugares que eu gostaria de ter ido. Verão sem Carnaval – é, confesso, sou fã de carnaval, sou bem do tipo que vai atrás do trio elétrico ou de uma bandinha de frevo sem nenhum problema (tenho uns gostos esquisitos, eu sei!). Escola de samba não fui ainda, mas quem sabe né?!
Enfim, verão em Porto Alegre, institui o meu verão cultural. Resolvi ver todos os filmes que estejam em cartaz e, que eu ache interessante. Nesse fim de semana fui assistir O Leitor. Em outra ida ao cinema, tinha visto o trailer e gostei.

Primeiro o filme me chamou atenção por ter entre os atores, Ralph Fiennes, que eu adoro. Além dele a atriz principal (agora sei, já indicada para o Oscar por este personagem), Kate Winslet. Mas o papel do Ralph Fiennes ficou secundário, pois o ator alemão David Kross - para mim pelo menos, roubou a cena.

A história se passa na década de 50, em Berlim. Kate é Hanna Schimitz, uma cobradora de ônibus que conhece e se envolve com Michael Berg (David Kross), num romance quente intercalado com leituras de clássicos como a Odisséia de Homero. A questão é a diferença de idade, ele tem apenas 15 anos. O romance dura um verão, quando Hanna é promovida e sai de Berlim, sem deixar pistas para um garoto apaixonado. Praticamente todo o filme são recordações do adulto Michael Berg (Ralph Fiennes), que ficou marcado por esse romance, sem conseguir firmar laços com outras mulheres.

Michael volta a encontrar Hanna, quando ele é um estudante de direito, fazendo uma disciplina especial, e vai assistir ao julgamento de ex-carcereiras de Auschwitz, entre elas está Hanna. O choque é forte e durante o julgamento, Michael percebe que conhece um fato que poderia inocentar Hanna.

Para mim, o filme é antes de qualquer coisa um “levantar de questões” para um debate interessante sobre ética, afeto, culpabilidade, omissão, responsabilidade, muito presente na sociedade alemã no pós-nazismo. E por que não dizer ainda hoje, no mundo globalizado?
A cena em que Hanna pergunta ao juiz o que ele faria se estivesse no seu lugar é reveladora. O filme incita um debate muito mais profundo do que as discussões que normalmente são colocadas quando se “conversa” sobre o tema.

Outro bom momento é quando uma sobrevivente de Auschiwitz, em conversa com Michael (Ralph agora) sobre a ex-carcereira, indaga: isso é uma explicação ou uma desculpa? E fica sem resposta. O desfecho da cena é bem interessante.

Kate Winslet está ótima, gostei muito mais do que no outro filme (também em cartaz): Foi apenas um sonho (com Di Caprio), talvez por ter gostado mais do enredo de O Leitor. E segue meu verão cultural, pois daqui a pouquinho o ano começa para valer.
Quase esqueço de dizer: adoro o tipo de fotografia que esse filme tem!

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Trailer do Filme


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terça-feira, 18 de novembro de 2008

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Wood Allen - Vicky Cristina Barcelona

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Cena do Filme Vicky Cristina Barcelona (acima) - Imagem de Wood Aleen e atores do filme (abaixo)


Vamos ao cinema? Bom, o que anda passando de interessante? Tem um filme novo do Wood Allen! Ah, não sabia, do que trata? Uma comédia de costumes que se passa em Barcelona. Uau! Wood Allen e Barcelona, ao mesmo tempo? Vamos ao cinema!

Wood Allen já foi um dos meus diretores de cinema favorito, não sou grande conhecedora da obra, mas vi alguns filmes em vídeo e no cinema, especialmente aqueles do final da década de 80 e vários de 90. Depois abandonei um pouco. Mas Wood Allen me impulsionou, por exemplo, a conhecer Ingmar Bergman (Morangos Silvestres foi o primeiro filme dele que vi), pela influência na obra de Allen.

Wood Allen, eu bem sei, não é daquelas figuras que causam uma boa impressão à maioria, contudo tem admiradores fiéis. Gosto dos filmes, entretanto uma vez ganhei um livro dele e não deu para ler todo. Enfim, uma coisa não necessariamente vem atrelada a outra.

Imagino que a história de Allen é mais ou menos conhecida, por isso faço uma retrospectiva só do pouco que sei, antes de falar no mais recente filme. Ele é um judeu americano, que já escreveu para televisão, teatro e cinema. Com comportamento controverso, já chegou a esnobar a Academia de Hollywood. Em 1977, seu filme “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” ganhou quatro estatuetas: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Original e Melhor Atriz (Diane Keaton) e ele não foi recebê-las. Ficou em Nova York para tocar clarinete em um pub.

Falar em tocar clarinete, me lembra que uma das características, dos filmes antigos do diretor, é a trilha sonora, sempre ótima e com muito jazz. Sua paixão por Manhattan, a personalidade neurótica de seus personagens, a mãe judia protetora e tirana - segundo sua própria visão – são outros elementos recorrentes. Outra particularidade, presente por um período, foi ele escrever as personagens femininas para duas atrizes, que foram Diane Keaton e Mia Farrow (essa última tem uma história bem particular com ele, mas não é o mote do post).

Alguns dos filmes que vi e me impressionaram: Tudo o Que Você Queria Saber Sobre Sexo, mas Tinha Medo de Perguntar (1972 – achei hilário demais!); Rosa Púrpura do Cairo (de 1985); Hannah e Suas Irmãs (de 1986); Setembro (1987); A Era do Rádio (1987); Contos de Nova York (1989); Crimes e Pecados (1989); Maridos e Esposas (1992); Neblina e Sombras (1992); Um Misterioso Assassinato em Manhattan (1993) e Tiros na Broadway (1994). Os mais recentes eu não vi, nem em DVD.

O filme Vick Cristina Barcelona, me chamou atenção primeiramente por ter como cenário a Barcelona, de Miró e Gaudí [sobre o último farei o próximo post, espero a oportunidade faz algum tempo]. Os elementos neuróticos e sobre sexo de Allen, estão presentes. A boa música - constante da obra do autor/diretor- também está no filme.

Wood Allen tem um humor ácido, mas refinado e se não bastasse tudo isso, tem o interessantíssimo ator espanhol Javier Bardem, namorado de Penélope Cruz, que está no elenco também. Em relação à cidade em si, tem pouca coisa, alguns pontos turísticos, e, diga-se de passagem, os mais interessantes, aqueles que não têm como não conhecer.

Esse filme se diferencia um pouco dos outros filmes dele que conheço, pois tem uma luz mais amarelada e muitas cores, imagino com intenção de realçar o colorido da Espanha, em contraste com o cinzento do seu cenário predileto que é (ou era) Nova York. Também devo dizer que se aproxima mais dos filmes do “circuito comercial”. Mas como já tive oportunidade de dizer aqui, quando gosto, gosto e ponto! Enfim, eu gostei e se alguém ai, estiver com vontade de ver um filme bom, divertido, está recomendado. Foi excelente tê-lo visto no domingo.

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Escrevi isso e fui atrás da crítica, se forem ver há diversas opiniões contrárias a minha, inclusive o povo de Cannes, que parece que não gostou também. Eu? Amei!

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Elenco: Scarlett Johansson, Penélope Cruz, Javier Bardem, Rebecca Hall, Chris Messina, Patricia Clarkson, Carrie Preston. Tem a música no vídeo do trailer.

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Sopros de Wood Allen [Vick Cristina Barcelona]

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terça-feira, 16 de setembro de 2008

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Ensaio sobre a cegueira - o filme, o livro

Sempre, ou quase sempre, que um livro é adaptado para o cinema há diversas reclamações sobre o conteúdo do filme. Eu não tenho muitas "queixas", compreendo simplesmente que é impossível realizar uma abordagem literal e completa de um livro para o cinema. Tenho certa tendência a absolver os cineastas dos filmes pelos quais me interesso. Na verdade vou generalizar, se algo me tocou, me emocionou já me deixa uma marca, gosto e ponto. Ouço as críticas, respeito quem não gostou, quem não se emocionou e sigo com minha opinião. É mais fácil eu vir a gostar de algo que não gostava por influência de terceiros que deixar de gostar. Será que deu para entender? Enfim, não sei se isso é bom ou ruim, certa ou errada sigo assim, pelo menos por enquanto. Quem sou eu para dizer que nunca vou mudar! Como eu disse ainda ontem, sou quase uma nômade de casa e alma. Em relação a filmes eu nunca leio a crítica antes, mas depois posso verificar se minhas impressões vão ao encontro da “dos especialistas”.

Não li o livro Ensaio sobre a cegueira, do escritor português José Saramago, então não posso traçar paralelo algum com o filme, que fui assistir e me causou grande impacto. A mensagem implícita é fortíssima. O filme foi bastante criticado no Festival de Cannes e o diretor Fernando Meirelles teria realizado diversas modificações para a exibição comercial, após as críticas negativas.

Sobre o livro, José Saramago disse: "Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso". É muito provável que eu o leia.

O filme está em cartaz no Brasil, creio que desde sexta-feira (12/09/2008), e tem no elenco Julianne Moore, Danny Glover, Alice Braga, Mark Ruffalo, Gael García Bernal, Don McKellar, Maury Chaykin, Martha Burns. Eu gostei de ter assistido, mas eu não diria que é “palatável”, é bom pensar bem antes de se aventurar. O enredo mostra, após uma epidemia de cegueira, a degradação do ser humano e a tentativa de um grupo de pessoas em manter a dignidade, buscando não simplesmente enxergar e sim compreender um ao outro.



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Sopro de José Saramago

"O medo cega, disse a moça dos óculos escuros. São palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegamos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos...”
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