segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O Leitor - o filme


Cenas do Filme

Verão em Porto Alegre! Esse podia ser o título do post, mas calma, eu chego lá.
Verão sem viagem, verão sem praia, verão sem Fortaleza, Recife, Salvador – lugares que eu gostaria de ter ido. Verão sem Carnaval – é, confesso, sou fã de carnaval, sou bem do tipo que vai atrás do trio elétrico ou de uma bandinha de frevo sem nenhum problema (tenho uns gostos esquisitos, eu sei!). Escola de samba não fui ainda, mas quem sabe né?!
Enfim, verão em Porto Alegre, institui o meu verão cultural. Resolvi ver todos os filmes que estejam em cartaz e, que eu ache interessante. Nesse fim de semana fui assistir O Leitor. Em outra ida ao cinema, tinha visto o trailer e gostei.

Primeiro o filme me chamou atenção por ter entre os atores, Ralph Fiennes, que eu adoro. Além dele a atriz principal (agora sei, já indicada para o Oscar por este personagem), Kate Winslet. Mas o papel do Ralph Fiennes ficou secundário, pois o ator alemão David Kross - para mim pelo menos, roubou a cena.

A história se passa na década de 50, em Berlim. Kate é Hanna Schimitz, uma cobradora de ônibus que conhece e se envolve com Michael Berg (David Kross), num romance quente intercalado com leituras de clássicos como a Odisséia de Homero. A questão é a diferença de idade, ele tem apenas 15 anos. O romance dura um verão, quando Hanna é promovida e sai de Berlim, sem deixar pistas para um garoto apaixonado. Praticamente todo o filme são recordações do adulto Michael Berg (Ralph Fiennes), que ficou marcado por esse romance, sem conseguir firmar laços com outras mulheres.

Michael volta a encontrar Hanna, quando ele é um estudante de direito, fazendo uma disciplina especial, e vai assistir ao julgamento de ex-carcereiras de Auschwitz, entre elas está Hanna. O choque é forte e durante o julgamento, Michael percebe que conhece um fato que poderia inocentar Hanna.

Para mim, o filme é antes de qualquer coisa um “levantar de questões” para um debate interessante sobre ética, afeto, culpabilidade, omissão, responsabilidade, muito presente na sociedade alemã no pós-nazismo. E por que não dizer ainda hoje, no mundo globalizado?
A cena em que Hanna pergunta ao juiz o que ele faria se estivesse no seu lugar é reveladora. O filme incita um debate muito mais profundo do que as discussões que normalmente são colocadas quando se “conversa” sobre o tema.

Outro bom momento é quando uma sobrevivente de Auschiwitz, em conversa com Michael (Ralph agora) sobre a ex-carcereira, indaga: isso é uma explicação ou uma desculpa? E fica sem resposta. O desfecho da cena é bem interessante.

Kate Winslet está ótima, gostei muito mais do que no outro filme (também em cartaz): Foi apenas um sonho (com Di Caprio), talvez por ter gostado mais do enredo de O Leitor. E segue meu verão cultural, pois daqui a pouquinho o ano começa para valer.
Quase esqueço de dizer: adoro o tipo de fotografia que esse filme tem!

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Trailer do Filme