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domingo, 2 de outubro de 2011

domingo, 2 de outubro de 2011

Poesia (des)falecida

***
Posso simplesmente não dizer nada?

Posso simplesmente te querer?

Posso levar meus olhos a passear pela tua ausência,

sentindo o teu buscar nas minhas retinas

que enxergam flores em janelas debruçadas de dor?

Posso querer te mostrar meu olhar pelo mundo e meu mundo,

que se limita ao meu pensar atravessado pela tua poesia suplicante?

Quero querer e poder navegar meus olhos transbordantes de cinza,

que são tingidos pelas flores róseas, lilases e vermelhas das azaleias,

dos ipês e dos gerânios.

No meu cinza não há deserto,

há uma aquarela pintada pela vontade de viver amando o que pode ser amado,

de carregar para dentro de mim - trazido na palma da mão –

o universo todo que me encanta,

desde as palavras até os palácios que vi e aqueles que imaginei.

Posso te dizer que me encantas com um pulsar inexistente de poesia falecida?

Posso?
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terça-feira, 12 de outubro de 2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010

de janela e olhares


***

andava sem rumo

era como uma folha

que flanava ao vento

e que qualquer hora iria descansar

em lugar desconhecido

erguia os olhos para observar

os antigos prédios e suas janelas

as janelas sempre lhe fascinaram

e nem sabia o porquê

janelas guardam e mostram intimidades

janelas protegem da exposição completa,

mas sugerem um horizonte

Por agora, as janelas, com seus vidros embaçados

de pó e fuligem,

protegiam dos monstros que lhe habitavam

uma dor de saudade

atirou uma pedra e estilhaçou seu olhar

que vazou em um milhão de gotas ensanguentadas


* a foto é minha

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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Era noite, talvez dia...



Era noite, mas talvez dia.
Pois as noites e os dias não mais se diferenciavam.
Não dormia.
Ou pelo menos imaginava que não dormia.
Sendo assim, não descansava.
E tinha uma penumbra, que não cessava.
Penumbra nos olhos.
Ou talvez no espírito, meio atordoado que andava.
Era vagar por terrenos não sólidos, mas queria o solo,
Que fizesse sentir além daquela fluidez translúcida.
Pensar, pensar, pensar.
A ordem da vez era pensar.
Mas todos os pensamentos eram emaranhados de seda,
ao puxar um deles... arrebentava.
Puxava o próximo,
e o próximo.
Sem nem mesmo concretizar a vil existência.
Era noite ou era dia?
Nem sabia.
Somente pedia para acordar do sonho,
ou do pesadelo da pesada existência.
Queria viver livre e
leve.

====

* A imagm eu peguei no Google Imagens. A poesia foi um parênteses na minha ausência, para inaugurar mais um template idealizado e realizado pela Layla Lauar, a grande responsável pela existência do Sopros. Sinto saudades dos amigos, mas os compromissos me aprisionam.
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quarta-feira, 21 de abril de 2010

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Imagens e melancolias

Os dias são quentes e os sabores se perderam numa sensação de “sem-paladar”.


As imagens embaralham e me curvo no cansaço dos dias sem fim.


Os dias não tem fim e os pensamentos são como passos largos, correndo.


As passadas são mais longas e paralisam-me num suor de febre sem calor,


O calor que molha, mas não encharca o suficiente para lavar as saudades que insistem em enlouquecer.


Os sons prometem luz para dias que mostram sorrisos sempre pálidos.


Grito num cano de esgoto esquecido na rua - no mesmo cano que o homem sentou para fazer a fotografia -
e todos os monstros que adormeceram dentro de mim saem e deixam um buraco no meu peito.

Aspiro o ar profundamente na tentativa de recompor meu ser e seguir na ponta da vida,


Que nem se importa com aquele sentimento de profunda solidão que tomou conta do meio do meu dia, quando todos sorriam do outro lado.
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Sobre a imagem: peguei no Google Imagens, se souber autoria me avise nos comentários.
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sexta-feira, 9 de abril de 2010

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Tangida pela vida

John William Waterhouse - Ophelia


E se assim vivi,

pois é assim que se vive

quando nem se tange a vida,

e dormi, sobretudo quando me atordoava

a fúria louca da busca,

que entrelaça meu querer

num pulsar completamente

estranho

correndo e navegando

voltando e mergulhando

num sopro sôfrego

que inala verões findos

que levaram um amor

de papel marchê
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Desobediência

Imagem: Poenies - Jia Lu


***

Você corre
O Coração...
...ah! o Coração!
Ele lhe diz que avance sinais,
Que pule obstáculos,
Que supere barreiras
Ele pulsa forte, grita que quer,
Lhe instiga e desobedece suas ordens,
Ele insiste, contradiz,
Embaraça seus sentidos,
Ignora seus pedidos.
Você se esconde, se protege,
Se defende,
e Ele...
...Ele não tem ouvidos
aos seus apelos!!


***
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domingo, 5 de julho de 2009

domingo, 5 de julho de 2009

Soltos versos, pobres versos

Imagem: internet


***


Rodopiava leve.

Buscava o vento para entregar seu segredo.

Dormia mulher e acordava menina.

Acreditava na musicalidade da voz,

que sussurrava docemente ao seu ouvido:

- Preciso abandoná-la, mas te encontrarei na vastidão dos teus sonhos.

Lapidava seu sentimento como uma jóia,

percorria caminhos sem fim, com pés descalços,

na busca da sensatez e tranquilidade, só permitida aos muito loucos.

Assim soprava versos.

Soltos versos, loucos versos, pobres versos!

Que serviam de cajado para continuar rodando,

ou de apoio para sentar no caminho

e esperar quietar o coração.


***
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terça-feira, 9 de junho de 2009

terça-feira, 9 de junho de 2009

Nave

Imagem: internet

***

Depressa!
Uma nave vem surgindo!
Naquela seta, ou será naquela árvore?
...
Não é uma nave.
é uma Lua, um satélite,
um Ser Órfão em busca de companhia.
...
Me dá teu brilho
e me entrego por ti.
Sou nave no céu da tua existência.
Céu infinitamente azul ou negro.
A cor não importa, face prata,
corrida, procura, desilusão.
...
Também sou só,
Me encontro, te cobre,
Me alimenta.
...
Um Deus, um Poeta,
que espreita teu corpo,
Se lava no meu,
Se compadece e endoidece.
...
Na tua imagem me envaideço
Te capturo, e presa, sonhas
os sonhos de todos, comigo,
em mim.
Mas te liberto, não sufoco teu brilho.
Te liberto para alcançar minha liberdade,
meu desejo.
...
Encontrarás um Sol,
e me trarás um Astro.
De longe te encontro, por fases,
por ciclos.
No cosmo, um amor completo,
irreal e brilhante.
Navego sempre, contigo,
em ti,

a nave,
o abrigo estelar...

***

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segunda-feira, 1 de junho de 2009

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Poesia Matemática - Millôr Fernandes

Imagem: Rude Rucker - achei a imagem e curiosidade: o pintor é matemático!!! Descobri AQUI

E já que maio é findo, junho pede urgência! Urgência de tantas coisas! Se maio eu considerei um mês romântico e feminino, junho é o mês dos namorados. Mas isso é história para um outro post.

Mas pegando carona no tema do namoro e considerando que chegaram tantas pessoas aqui, no Sopros, buscando a Poesia Matemática do Millôr Fernandes, vou deixá-la para que possam conferir esse poema interessante. Pareço inspirada para posts, blogs e coisas do gênero?


Poesia Matemática - Millôr Fernandes


Às folhas tantas do livro matemático

um Quociente apaixonou-se um dia doidamente

por uma Incógnita.

Olhou-a com seu olhar inumerável e viu-a do ápice à base

uma figura ímpar;

olhos rombóides, boca trapezóide, corpo retangular, seios esferóides.

Fez de sua uma vida paralela à dela

até que se encontraram no infinito.

"Quem és tu?", indagou ele em ânsia radical.

"Sou a soma do quadrado dos catetos.

Mas pode me chamar de Hipotenusa."

E de falarem descobriram que eram

(o que em aritmética corresponde a almas irmãs)

primos entre si.

E assim se amaram

ao quadrado da velocidade da luz

numa sexta potenciação traçando ao sabor do momento

e da paixão

retas, curvas, círculos e linhas sinoidais

nos jardins da quarta dimensão.

Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana

e os exegetas do Universo Finito.

Romperam convenções newtonianas e pitagóricas. E enfim resolveram se casar

constituir um lar, mais que um lar, um perpendicular.

Convidaram para padrinhoso Poliedro e a Bissetriz.

E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro

sonhando com uma felicidade integral e diferencial.

E se casaram e tiveram uma secante e três cones

muito engraçadinhos.

E foram felizes até aquele dia em que tudo vira afinal monotonia.

Foi então que surgiu O Máximo Divisor Comum

freqüentador de círculos concêntricos, viciosos.

Ofereceu-lhe, a ela,

uma grandeza absoluta

e reduziu-a a um denominador comum.

Ele, Quociente, percebeu que com ela não formava mais um todo,

uma unidade.

Era o triângulo, tanto chamado amoroso.

Desse problema ela era uma fração, a mais ordinária.

Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade

e tudo que era espúrio passou a ser moralidade

como aliás em qualquer sociedade.


***
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quinta-feira, 28 de maio de 2009

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Enquanto Maio...Poesia de Hilda Hilst

Imagem: Lover Tree - Jia Lu


Maio está quase chegando ao fim. O tempo passa voando mesmo. Há dias que acho isso ruim e em outros que nem tanto. Mas enquanto o fim de maio não chega, vou mostrar mais uma poesia “feminina”.

Desta vez escolhi Hilda Hilst. Desde que li os poemas de Hilda no livro Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão, encantei-me por sua poesia. Não creio que seja necessário apresentá-la, mas vai que tem alguém que não a conhece?

Hilda Hilst nasceu em Jaú (SP) em 21 de abril de 1930 e morou desde 1965 na chácara Casa do Sol, em Campinas (SP). (Creio que tenha sido nessa chácara que Caio Fernando Abreu - já falei do Caio AQUI - se refugiou da ditadura militar). Ela formou-se em Direito pela USP e desde 1954 se dedicou à literatura. Considerada um dos principais nomes da literatura brasileira contemporânea. Faleceu em 4 de fevereiro de 2004.

O poema que vou mostrar faz parte do livro que citei acima e consta do capitulo Prelúdios - intensos para os desmemoriados do amor. Como de hábito li vários para escolher, mas como costumava dizer aqui no blog, eu não tenho escolhido poesias, trechos e autores. Eles se escolhem, pela forma impactante com que me atravessam a alma. Fico encantada e meio presa num visgo, não tendo como fugir dela(e)s.

Então, ao poema de Hilda!


***


I


Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca
Austera. Toma-me AGORA, ANTES
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute
Em cadência minha escura agonia.

Tempo do corpo este tempo, da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento
Um sol de diamante alimentando o ventre.
O leite da tua carne, a minha
Fugidia.
E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.

Te descobres vivo sob um jugo novo.
Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor,
Antes do muro, antes da terra, devo
Devo gritar a minha palavra, uma encantada
Ilharga
Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar
Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo
Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza.


[Prelúdios - intensos para os desmemoriados do amor – Poema I – Hilda Hilst]
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quinta-feira, 21 de maio de 2009

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Viagem no vento

Ophelia - John William Waterhouse - 1905

Se pudesse ser o vento, viajaria agora ao teu encontro.

Te buscava por todos os cantos.

E ao te encontrar, acariciava teu rosto com leve brisa,

depois, mais forte, atravessava tuas vestes,

para alcançar tua pele,

e deixar em ti, o frio da minha ausência.

Só então seguiria viagem,

Até adormecer solitária em qualquer (c)(m)anto.

*****
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domingo, 17 de maio de 2009

domingo, 17 de maio de 2009

A poesia do encontro – Elisa Lucinda, Rubem Alves e mais Cecília Meireles

Peter Ilsted - A Girl Reading in an Interiror



Título alternativo: Um encontro de amigos

O título do post tem vários significados. Primeiro é o título de um livro. Estava procurando uma poesia – de uma poetisa – e acabei relendo algumas autoras e muitos poemas (como é bom ler poesia!).

Buscando meus livros, lembrei que tinha comprado um livro no aeroporto de Brasília, ano passado (acho). O livro chama-se Poesia do Encontro. É uma “conversa” sobre poesia entre Elisa Lucinda e Rubem Alves.

Elisa Lucinda é poetisa, atriz e cantora. Rubem Alves é um escritor de crônicas e histórias infantis. O interessante desse livro, é que eles vão conversando e lembrando poesias. Elisa criou, no Rio de Janeiro, a Casa do Poema e ensina interpretação de poesia. O lema lá é: “falando poesia sem ser chato”. Ela faz oficinas pelo Brasil e conta histórias interessantes de sua experiência. Dá vontade de “declamar poesia” junto com eles. Sem falar que, ainda contam as histórias de alguns poemas famosos e recitam.

Segundo: me lembrei deste livro, pois foi lá que reli um poema do Millôr Fernandes, chamado Poesia Matemática. E surgiu o poema na mente, por causa do Amarísio, amigo que encontrei aqui no blog, professor de matemática, que fez aniversário este mês. Desta vez não vou postar o poema, pois minha intenção é continuar com as meninas poetas. Vou deixar para outra oportunidade, mas recomendo o livro de Rubem e Elisa.

Seguindo a busca por um poema, li muitos esses dias, pois queria encontrar um especial. O problema é que todos os que li me pareciam especiais. Li Adélia Prado, Emily Dickinson, Florbela Espanca, Hilda Hilst...Não li Clarice, pois é um perigo. Li Cecília Meireles e optei por ela, mas mesmo escolhendo a poetisa, mais difícil é selecionar o poema. São tantos e tão lindos. Pudesse postava todos que me gritaram mais alto à alma. Fiquei com Canção do Caminho, querendo muitos outros. Vamos a ele!


***

Canção do Caminho - Cecília Meireles


Por aqui vou sem programa,
sem rumo,
sem nenhum itinerário.

O destino de quem ama
é vário,
como o trajeto do fumo.

Minha canção vai comigo.
Vai doce.
Tão sereno é seu compasso
que penso em ti, meu amigo.
- Se fosse,
em vez da canção, teu braço!

Ah! Mas logo ali adiante
- tão perto! –
acaba-se a terra bela.
Para este pequeno instante,
decerto,
é melhor ir só com ela.

(Isso são coisas que digo,
que invento,
para achar a vida boa...
A canção que vai comigo
é a forma de esquecimento
do sonho sonhado à toa...)

***
[Post dedicado ao Amarísio - Blog Recanto dos Sonhos]
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terça-feira, 12 de maio de 2009

terça-feira, 12 de maio de 2009

Virando a página e poesia de Emily Dickinson

Peguei na internet

A metáfora é antiga: a vida é como um livro aberto. E alguns ainda fazem alguma brincadeira, dizendo que a vida é um livro aberto com algumas páginas arrancadas, enfim, é uma imagem interessante, visualizar-nos escrevendo a história da nossa existência!

Queria virar a página e mesmo com muitas atribulações por aqui, pouco tempo, cansaço, resolvi mudar de assunto, mas ainda permanecer com poesia.

Quando fui procurar a imagem de um “livro aberto” na rede, achei esse e mais uma frase, atribuída ao Saramago e resolvi colocar aqui, pois me pareceu apropriado (apropriado a quê?! a tudo!!!). Diz o seguinte: "É ainda possível chorar sobre as páginas de um livro, mas não se pode derramar lágrimas sobre um disco rígido”. Sem mais comentários, volto o meu barco para o rumo que eu ia dar, antes de encontrar a frase.

Como o mês de maio é conhecido como o mês das mães, das noivas, de Maria (estudei em colégio de freiras, mês de maio era mês de muita reza), é um mês de mulheres. Por essa razão, este mês, quando eu atualizar o blog, vou postar poesias de mulheres. Nenhuma referência a feminismo - por favor - só quero sentir e compartilhar o pulsar, o olhar, as referências de mulheres que escrevem coisas belas, como foi o caso do poema da Adélia. Por agora, viro a página e encontro Emily Dickinson.


***

À noite, como deve sentir-se solitário o vento
Quando todos apagam a luz
E quem possui um abrigo
Fecha a janela e vai dormir

Ao meio-dia, como deve sentir-se imponente o vento
Ao pisar em incorpórea música,
Corrigindo erros do firmamento
E limpando a cena.

Pela manhã, como deve sentir-se poderoso o vento
Ao se deter em mil auroras,
Desposando cada uma, rejeitando todas
E voando para seu esguio templo, depois.

[Emily Dickinson]
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domingo, 10 de maio de 2009

domingo, 10 de maio de 2009

Mais uma consideração e Adélia Prado

Serenata - peguei na internet

Tem horas que sinto vontade de vir aqui e atualizar o blog, mas acho que esgotei todas as palavras, que não são muitas. Tem horas que tenho vontade de dar um tempo para ele (o blog) e para mim (e para os leitores também), mas confesso que não tenho muita coragem. Tenho um apego meio exagerado por determinadas coisas e determinadas pessoas (digo isso, por que o apego não é aquele apego material e dizendo assim pode parecer!). Essas primeiras palavras são o reflexo do meu humor, nada interessante por esses dias (e não é TPM!).

Mas resolvi atualizar, só para atualizar. E resgatando um pouco do que era o blog um tempo atrás (antes de eu inventar de escrever!) vou me socorrer com versos de outros. No caso, outra, Adélia Prado. Fui escolher um poema dela e é tanta coisa linda que dá vontade de colocar todos por aqui.

***
Sopro de Adélia Prado – A serenata

Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
De que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Sentindo vontade de poesia...

Peguei na internet


Sentindo vontade de poesia!



***

Sopro de Cecília Meireles - Lua Adversa


Tenho fases, como a lua

Fases de andar escondida,

fases de vir para a rua...

Perdição da minha vida!

Perdição da vida minha!

Tenho fases de ser tua,

tenho outras de ser sozinha


Fases que vão e que vêm,

no secreto calendário que um astrólogo arbitrário

inventou para meu uso.


E roda a melancolia

seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém

(tenho fases, como a lua...)

No dia de alguém ser meu

não é dia de eu ser sua...

E, quando chega esse dia,

o outro desapareceu...
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Saudade


***

Tem um lugar que não conheci,
Tem um aroma que não senti,
Tem um sabor que não provei,
Tem um sorriso que não me iluminou,
Tem um abraço que não me aqueceu,
Tem um beijo que não me fez tremer,

E mesmo assim, morro de saudades disso tudo!
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Poema de Amigo


Já é rotina por aqui, sempre que me faltam as palavras, eu busco um grande escritor para me ajudar. Desta vez fui buscar um jovem escritor, sem livros publicados, mas nem por isso menor.

Pedi e recebi um poema para publicar aqui, do queridíssimo Álisson da Hora, poeta, escritor dos bons. Com formação em Letras e mestrando em Crítica Literária na Universidade Federal de Pernambuco (e quem sabe futuro profe lá também?!).

O Álisson publica no blog Ein jeder Engel ist schrecklich vários dos seus escritos, romances inclusive. O estilo é denso, metáforas inteligentes, mas não vou me estender demais, pois não fiz nenhuma cadeira de crítica literária. Só sei do que sinto, e me emociono ao ler o que ele escreve. Um dia ainda hei de receber um livro publicado.

O poema que pedi, parece um poema de amor, mas não se iludam, ele não fala de amor. Contudo, ele fala de Amor. Mas e o quê importa, se quando estamos lendo uma história, um poema, viajamos para o mundo que nossa mente nos quiser levar, à revelia do autor, que nos fornece a base para a nossa viagem, que vai ser complementada com os nossos próprios sentimentos e experiências?

Certo! Falei demais! Vamos ao poema, que leio e leio e sempre acho lindo.


***


Sopro de Álisson da Hora – Ascender


não te escondas

mas, precisando se esconder

te farei de pipa

para que ninguém te perturbe no seu voar

prometo: ninguém perceberá teus passos

tranquilos nas quinas das nuvens

nem teu olhar divagante por sobre

as cabeças dos pequenos necessitados

da misericórdia mais pungente.

te guardarei nos meus bolsos

para lembrar como quem olha uma fotografia querida

te trarei como uma promessa de viagem

um devaneio ao final da tarde mais calada.


se esconda

embaixo dos meus poucos versos

o abrigo mais bonito que eu posso te dar

com um sopro de sol se pondo

o afago amigo das linhas pensadas


refugie-se no campo sensato da tua alma

no que podes pensar de bom ao final de um dia

deixe-se fotografar pelas minhas mãos

e fique tranqüila


aqui, estarás segura


***


Se tiver informação errada, você me corrige e eu corrijo.

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Fotos de Belém e poesia paraense

Continua a minha pretensão em ser fotógrafa!
As fotos são de dezembro de 2008 e janeiro 2009.
Olhando o barco e o baía a partir da Estação das Docas

Prédio da Enasa - início da Presidente Vargas

Basílica de Nossa Senhora de Nazaré

Barco na Estação das Docas

Olhar a baía do Guajará estando na Estação das Docas

***
Vocês conhecem a lenda do boto? Então vamos ver a ótica do poeta [paraense].
***
Sopro de Antônio Juraci Siqueira - Boto 60
Eu venho de um mundo/que tu não conheces:/do onde, do quando,/do nunca, talvez...

Eu venho de um rio/perdido em teus sonhos,/um rio sondável/que corre em silêncio/entre o ser e o não ser.

Eu venho de um tempo/que os homens não medem,/nenhum calendário/registra os meus dias.

Sou filho das ondas/que geme na praia,/sou feito de sombras/de luz e luar/e trago em meu rosto/mandinga e mistério/e guardo em meus olhos/funduras de rio.

Cuidado, cabocla!/Cuidado comigo/que eu sou sempre tudo/o que anseias que eu seja:/- teus ais, teus segredos,/tua febre, teu cio...

Se em noites de lua/sentires insônia/e a fome de sexo/queimar as tuas entranhas,/a sede de beijos/tua boca secar/e em brasa o teu corpo/meu corpo exigir,/contigo estarei/na rede do encanto/cativo nas malhas/da teia do amor.

E quando os teus olhos/fitarem meus olhos,/e quando os meus lábios/teus lábios tocarem,/e quando os meus braços/laçarem o teu corpo,/e quando o meu ser/em teu ser penetrar,/só então saberás/quem sou e a que vim.

E assim que a semente/do amor, do desejo,/vingar no teu ventre/gerando outro ser,/não mais estarei/contigo. Somente a minha lembrança/permanecerá boiando nas águas/barrentas, confusas, /de tua memória/cansada, febril...

- Foi sonho ? - Foi fato ?
Ninguém saberá!...
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Fogos de Artifício e Poema de Natal

Peguei na internet

Fogos de Artifício
Olhou para o céu e viu a explosão de cores. Fogos de artifício. O período natalino era sempre especial, pois quase todos os dias ele podia ver os fogos e lia a programação da cidade para não perder nenhum espetáculo.

João havia morado na rua na infância e já nem sabia como tinha ido parar lá. Lembrava somente do dia em que a aquela mulher, com olhar bondoso, perguntou a ele se não gostaria de passar o Natal em sua casa. Devia ter dez anos, e quando entrou naquele “abrigo”, percebeu que a vida podia ser melhor. Uma linda árvore de natal na sala, toda confeccionada pelas crianças que ali moravam. Um sonho aquelas luzinhas. Queria ficar e ia fazer o que fosse necessário para isso.

Na noite de natal, todos foram para a rua olhar o céu e ver os fogos. Tantas cores, tantas formas, sorria e chorava, chorava e sorria. Ele nunca experimentara aquele aperto no coração, que ao mesmo tempo em que doía lhe proporcionava bem estar. Para sempre, aquelas luzes iriam brilhar nos seus olhos e seu coração sempre sentiria a mesma sensação, pois estava aprendendo o que era felicidade, quando a senhora de olhos bondosos, segurou sua mão e assistiram assim, a queima de fogos.

Hoje, olhando o céu, lembrou da música que diz Papai Noel vê se você tem a felicidade para você me dar, percebeu que, para ele, Papai Noel existiu e lhe foi muito generoso. Segurou a mãozinha da filha e abraçou a esposa, queria sentir o calor das duas para admirar os fogos e sentiu-se criança novamente, e sorriu e chorou. Era um privilegiado e agradeceria “ao céu”, enquanto estivesse vivo.

*Pode parecer meio piegas, mas adoro fogos de artifício e para falar sobre o tema, somente me veio essa historinha na mente.

***

Sopro de Vinicius de Moraes - Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Sexta-feira, música e poesia

Janela, colorida janela

A sexta-feira é sempre um momento uma promessa de dias melhores, eu creio! Significa que se conseguiu concluir mais uma etapa e há uma nova possibilidade de descanso e diversão. Ou simplesmente, a certeza de um novo ciclo.


O cansaço e muitas vezes o desânimo são substituídos pelo prazer de se viver uma nova sexta-feira. Com essa expectativa, vou concluir uma semana de ausência, com música (a última daquelas sete!) e poesia. Só para começar a sentir o sopro do fim de semana e do fim do ano. E da perspectiva de encontros, reencontros e de confraternização...esperanças, enfim...


Bom findi!

***


Sopro de Mário Quintana [Da felicidade]


Quantas vezes, a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura,
Tendo-os na ponta do nariz!


Música
Meu lado "água com açúcar", super pop, Alexandro Sanz, adoro! (Dar solamente aquello que te sobra/Nunca fue compartir, sino dar limosna, amor/Si no lo sabes tú, te lo digo yo...la,la,la)

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